domingo, 17 de julho de 2022

Gafieira Alvorada

 

Rio de Janeiro

Bairro Botafogo

Década 1970 e o Rio pegando fogo 24 horas, dia até a noite.

Na Rua da Passagem, morava um garoto chamado Fábio, com o quarto de frente para o barulho dos carros, ônibus e pessoas.

Clube Guanabara com suas famílias em torno das piscinas, máquinas de pipoca e algodão doce para as crianças e seus bailes que balançavam a Praia de Botafogo.

Tarde da noite, em seu sofá-cama, Fábio escutou um barulho na rua, de joelhos debruçado na janela, foi espiar. Era a famosa Gafieira Alvorada, que a noite rolava discoteca e Fábio viu jovens na frente conversando antes de subir as escadas para o salão.

E com os olhos curiosos viu dois rapazes cabeludos com calças boca de sino bebendo e um disse antes de subir:

- Bicho! Hoje à noite todos os gatos são pardos!

Fábio continuou a assistir e a escutar as músicas que tocavam de Bee Gees a novela Dancin Days que sua mãe e irmã assistiam na TV.

Da janela, Fábio acompanhava a rotina do dia a dia na rua, acidentes de carro e ônibus, incêndio na casa de madeiras Gales ao lado da gafieira Alvorada, mas sempre que aconteciam as noites de discoteca, ele estava sempre acompanhando com curiosidade.

À tarde, a gafieira Alvorada tinha as aulas de judô com crianças e Fábio sempre comparecia com sua faixa laranja, chegando a disputar três finais.

Anos passam e derrubaram a gafieira Alvorada e casa de madeiras Gales, para construir dois prédios residenciais, mas a memória fica para sempre.

terça-feira, 5 de julho de 2022

Era uma vez uma aldeia

Em uma pequena aldeia, onde os moradores plantavam e cultivavam seu próprio sustento, mais um dia chegava para as pessoas:

-Bom dia seu Zé

-Bom dia seu João

-Vamos ter sol hoje?

-Sim e vou aproveitar para colher minhas batatas e vendê-las no mercado, quem sabe em alguns dias compro uma caminhonete.

-Ah sim ontem eu colhi as cenouras, enchi 50 sacos e ganhei um bom dinheiro ontem e vou contratar mais uma pessoa para aumentar a produção!

-Boa então à noite vamos brindar com a família e cantar!

Passado alguns dias, um novo morador desconhecido, mostrando seu conhecimento dizendo que podia ajudar a todos da aldeia:

-Meu nome é Carlos Max e com uma parte, eu posso administrar a aldeia, trazendo desenvolvimento a todos.

Os moradores rapidamente acreditaram e seguiram suas ideias, mas um ano depois, Carlos Max decidiu impor que para cuidar da natureza e salvá-la, os moradores deviam não mexer na terra e nem com os animais. Sem entender os moradores concordaram pois Carlos Max dizia que traria progresso e salvaria a natureza e sobraria muita comida para todos.

Dois anos, a fome começou a bater a todos:

-Bom dia seu Zé... o amigo está magro e não te via há dias,o que houve?

-Bom dia seu João... estou doente e passando fome,as árvores e os animais estão morrendo ,mas o senhor Carlos desde que veio com aquelas ideias,perdi minhas terras,só fico doente pois não tem comida pois ele disse para não mexermos e como não produzi nada há dois anos,tive que vender minhas terras quase de graça.

- Para quem amigo?

- O senhor Carlos Max

- Eita... o mesmo comigo,vendi não para ele.mas uma pessoa que ele indicou,um tal de senhor Eduardo Max que é o irmão.

- Mas o amigo está melhor do que eu, não passa fome?

-Bem, eu não tive a fartura de antes, mas o Carlos Max me dá um dinheiro sempre se eu ficar calado.

Os moradores percebendo que a aldeia mais parecia uma cidade fantasma e vendo os senhores Carlos e Eduardo Max com roupas e carros cada vez mais caros, reclamaram:

- Oh seu Carlos o povo está cada vez mais com fome e o senhor desde chegou aqui há três anos dizendo que se não mexermos com a natureza, sobraria muita comida, mas o único que engordou foi você! Seria melhor voltar como era antes, quando produzimos a comida, pois quem sabe cuidar da natureza é quem produz e não quem só fica de conversa mole e só espera a comida pronta chegar a casa!

- Seu Zé! A natureza e o planeta podem morrer se não deixarmos ela quieta e em paz!

- Quem vai morrer de fome seremos nós e a natureza também se não tiver pessoas como nós todos os dias cuidando dela! Eu tinha duas árvores cheias de goiabas e caíram de podre porque o senhor disse para não mexermos!

Com o tempo os moradores da aldeia se mudaram e foram para lugares onde seriam donos de suas próprias vidas.

sábado, 29 de janeiro de 2022

O eterno amigo Pedrinho

 

No início da sua infância,Marcelo era trazido pela mãe para a "pracinha" na praia de Botafogo para brincar e lá a mãe conversava com outras mães que trazia seus filhos.

Marcelo começou a brincar com um filho de uma das amigas da mãe,se chamava Pedrinho,loirinho como um anjo e seu pai era taxista e a mãe portuguesa igual a de Marcelo.

A brincadeira era com carrinho e com bola,principalmente futebol pois Marcelo era bom,mas não Pedrinho,mas mesmo assim durante alguns anos,se tornaram amigos da "pracinha' pois um gostava de brincar com o outro.

Pedrinho era calmo e quieto,não era uma criança rebelde.

Um dia,Marcelo percebeu que o Pedrinho não tinha aparecido na "pracinha" com a mãe e assim foi uns dias,quando uma vez a mãe dele se encontrou na rua com o Marcelo e sua mãe,que perguntaram por ele:

- Ele está doente..

- O que ele tem ?

- Não sabemos,está fazendo exames

Passado um tempo,Pedrinho não apareceu mais na "pracinha" e mais uma vez,quando se encontraram com a mãe dele na rua,ela falou:

- Pedrinho está com leucemia e está internado no hospital.

- Vamos visistá-lo em breve.

E assim foram a mãe e o Marcelo visitar Pedrinho no hospital e lá ele estava deitado na cama,cabelo ralo,magrinho e pálido.A mãe dele falou:

-Estamos rezando para que ele melhore.

Então Marcelo pega na mão e o braço do Pedrinho,que parecia uma folha de papel de tão frágil que ele estava e isso ficaria em sua lembrança.

Dias depois,Marcelo recebeu da sua mãe a triste notícia,que Pedrinho tinha morrido e foram ao enterro no cemitério São João Batista.

Calado,Marcelo,que não tinha nem dez anos,perderia seu amigo ainda criança.

Um tempo depois,a mãe de Pedrinho teria mais dois filhos e Marcelo já um adolescente,se encontrava na rua com ela,que sempre dizia para a mãe :

- Pedrinho tinha a idade do Marcelo.

Com o tempo,para o Marcelo,toda amizade seria preciosa como um relógio.

quarta-feira, 14 de julho de 2021

O fantasma do apartamento 507

 

Sábado chuvoso,tudo calmo e entediante para o Rodrigo,que vive sozinho e passa a noite no escuro do apartamento escutando o delta blues,deitando pensando na vida.

Da janela do quarto,ele olha a vida de várias pessoas de um prédio ao lado com janelas viradas para ele e fica sempre incomodado com uma mulher que passa horas,debruçada na varanda olhando,sempre para o prédio de onde ele mora.

Rodrigo lembra quem é a pessoa,onde o marido sempre trás a amante para casa e os filhos,quando ficam sozinhos,ficam na putaria e bebedeira.

Mas Rodrigo mostra seu lado gozador e provocador,mostrando que não é uma pessoa que vive triste o tempo todo,decide fazer uma brincadeira com a mulher do prédio ao lado.Ele abre o armário e acha um grande lençol branco velho e uma corda e se cobre todo com o lençol e amarra a corda em volta do pescoço fingindo um enforcamento.

Rodrigo percebe que a mulher está sentada na varanda,bebendo um vinho e corre pela casa toda várias vezes vestido como um fantasma com a corda no pescoço e fazendo "booooooo!boooooo!!!".

A mulher assustada olha e chama o marido e ela aponta para o apartamento dele.

Rodrigo vestido como um fantasma aparece numa janela e depois na outra rápidamente,puxando a corda no pescoço. Assustada,ela vai para dentro com o marido e os 2 somem.

Menos de uma semana,Rodrigo percebe que a família e a mulher começam a se mudar e esvaziar o apartamento,indo embora.

Quando o fantasma do 507 voltará de novo,hein?

sábado, 16 de janeiro de 2021

A menina da janela da frente

Nova moradia e a esperança bate em Fernando que ao chegar na nova casa,escuta de um vizinho uma música do Roberto Carlos "O Portão".

Fernando estava esperançoso e sonhando com novas amizades e um amor em sua vida que sempre buscou.

Um certo dia,olhando para um prédio do lado,percebe que num apartamento,uma menina estava no quarto,transbordava sensualidade e charme,andava pelo quarto de camiseta e calcinha brancas. Os dias vão passando e aquela menina tinha mexido com seu desejo e ainda mais que ela dançava pelo quarto nua e fazendo yoga.

Fernando então começa a mexer com ela,de forma carinhosa,quando ela olhava para ele,enviando beijos e acenando ou mostrando uma flor para ela.No inicio,ela não dava atenção,mas Fernando começou a perceber que ela olhava para janela dele,quando uma vez ela estava dormindo e Fernando escondido em casa no escuro,fingindo que estava fora de casa e ela olhava com luz acesa até as 04 da manhã para saber se estava em casa.

Fernando estava mais do que certo que conseguiu a atenção da menina,pois ela ficava olhando para janela.

Um dia ele voltou a fazer as mesmas coisas,enviava beijos e acenava para ela,mas ela voltava a fingir que não era com ela,deixando Fernando chateado.Então Fernando deixa e esquece ela

Meses passaram e ele percebeu um dia a menina olhando direto para ele que estava sentado na varanda e começou a dançar e foi tirando cada peça de roupa,ficando nua e acendendo um incenso deitando na cama mas olhando para ele para ver se estava olhando.mas Fernando estava muito chateado e se levou indo para dentro.

Num outro dia,ele percebe ela senta na cama e pega um violão para tocar,aquilo mexeu com o Fernando que é músico e ficou olhando e acenou para ela,mas nada.

Fernando ao entrar na rua,percebe ela vindo na mesma calçada e decidiu chegar nela para conversar:

- Olá você é cantora ?

- Porque quer saber ?

-Porque procuro uma parceira para novas músicas de amor e paixão e você pode ser a minha inspiração.

A garota ficou vermelha e sorriu quase rasgando o rosto.

- Você toca ? é músico ?

- Sim! sou produtor musical formado.

- Legal!!!!

Os dois ficaram conversando sobre música um tempão e Fernando convida a menina para beber ou comer algo para conhecê-la e ela convida para seu apartamento.Fernando entra no prédio e sobe para o apartamento dela.

Lá na cozinha,os dois ficaram comendo biscoito e bebendo refrigerante,indo para o quarto dela:

- Bom! aqui que a magia rola!

- Como assim ? 

- Você dança e toca que me enfeitiça.

Pronto,Fernando conseguiu fisgá-la e o clima rola entre beijos e carícias. Ela enfia a mão debaixo da blusa do Fernando que ele alisa os quadris,as costas,mas quando ela foi tirou a sua blusa:

- Olha! você me deixa louco mas não gosto de fazer na primeira vez,pois quero ser mais intímo de você,mais que um amigo,uma pessoa é como se fosse um livro,não quero ir logo para última página e jogar foro o livro.

- Mas eu estou com tesão!apaga meu fogo! vem!

Então Fernando,ataca para satisfazer pois para ele sentia que valia tudo para conquistar.Os dois tiraram as roupas e deitaram na cama e Fernando lambeu entre as pernas dela,enfiando o dedo e girando várias vezes,deixando a menina mais louca de tesão. Depois ela vem e senta de frente para ele beijando,calvagando como se fosse seu brinquedo.O casal transa de lado,um sobre o outro,até em pé loucamente:

- Ai ai.....espera a cortina está aberta e as pessoas pode nos ver! fala a menina para Fernando

- Que se danem! estou amando você e isso que me importa!

O clima fica cada vez mais quente entre os dois cada vez até o orgasmo:

- Você é doido cara ?

- Sim por você! farei tudo para te proteger e te fazer feliz! mas não sei seu nome e você não sabe nem o meu! qual é o seu nome?

- Não importa! para que ? você me deixou feliz!

- Mas como vou te chamar ? Olá fulana!?

- Não precisa,eu te darei olá!mais o que ? não quero ser dona de ninguèm!homem para agora e tchau!

Fernando ficou tão chateado que não conseguia esconder mas logo superou pois viu que ela não era seu tipo e colocaram as roupas e ela levou o até a porta,beijou indo embora.

Fernando ficou tão desnorteado que só ficava quieto em casa numa canto da casa olhando para o vazio.

Dias passaram e um dia,Fernando viu ela vindo na mesma calçada se achando a rainha da rua,a menina acena e dá um olá mas Fernando passa direto sem dizer nada,isso várias vezes repetiu até um dia,ela chegar nele e perguntar:

- Porque você está me tratando assim ? você gozou e eu também!

- Sim mas não sou bala para chupar e cuspir fora,você se satisfaz com pouco,mesmo que seja para usar a pessoa sem pensar na outra pessoa,a felicidade está dentro de quem você vê!

Deixando ela paralisada na rua,Fernando vai embora,mas o inferno só começava pois com tempo,ela começou a trazer vários homens,loiros,brancos,negros,altos,cabeludos para o quarto e transar de cortina aberta sempre olhando para janela dele,até com mulheres no quarto.

Fernando começou a ficar enojado da menina e vivia com as cortinas da casa todas fechadas,mas a menina não se sossegou e começou a tocar mais de uma vez na portaria de seu prédio,as vezes com um rapaz diferente querendo falar com ele,mas com as ordens do Fernando,o porteiro dizia que ele não estava.

Um dia ao sair do prédio,Fernando esbarra com ela e agitada chega para falar :

- Ei! eu sei que te tratei mal!mas esquece vamos conversar! você me tratou bem sem querer me usar!

- Mas você não! como você acha que estou me sentindo por dentro vendo você na cama,transando com vários caras e mulheres? não foram 10 e você sabe que foram vários! Estou enojado de você! Não vou encostar meus dedos numa pessoa que usa as pessoas somente para satisfazer seu ego! Você me quebrou por dentro e os pedaços eu posso colar mas não serei o mesmo!

Mesmo assim a menina continuou fazer as mesmas coisas,mas vendo que ele não queria mais saber,some e muda de quarto indo viver lá para dentro,desaparecendo e Fernando muda de casa decepcionado do local que tinha tanta esperança de uma vida melhor,sem saber o nome da menina.


terça-feira, 26 de maio de 2020

Ana Cristina


Cansado de ficar em casa vendo seus pais nem sequer interessados em saber se estava feliz ou não,Júlio começou a frequentar o grupo jovem da igreja perto de casa.
Todo dia iria à noite para encontrar os amigos e conversarem e até ajudar na Igreja Cristo Redentor,especialmente nos domingos.Quando um certo dia,ao começar e terminar a missa das 18 horas,via uma garota que lembraria da época quando estudava no Escola José de Alencar.
Ela se chamava Ana Cristina,onde vinha sempre nas missas com o irmão menor e seus pais.
Júlio aos poucos,começou a sentir uma atração e uma vontade grande em conversar com Ana Cristina.
Num domingo,muito nervoso,criou coragem e quando saia da missas das 18 horas,Ana Cristina desceu a escada e olhando para Júlio,ele chegou perto dela e puxou conversa:
- Oi Ana Cristina...posso falar contigo ? disse Júlio quase gaguejando.
- Olá sim! Ana sorrindo...
- Se lembra de mim do José de Alencar?
- Ah sim me lembro. Como vai ?
- Tudo bem! Bem...Ana você gostaria de sair comigo para o cinema e comer algo para conversarmos melhor do que aqui ? perguntou Júlio quase gelado de nervoso.
- Sim! Sim! Gostaria! quando ?
- Próximo domigo depois da missa ?
- Sim! Pode ser!
- Ok combinado então!
- Sim combinado! agora preciso ir por causa dos meus pais! tchau beijo!
- Tchau beijo! 
Júlio enlouquecido ficou subindo e descendo as escadas numa euforia falando aos amigos do grupo jovem:
-Yeah!!! Porrra!!! consegui!! vou sair com a Ana Cristina!
- Parabéns Júlio! disse os amigos
Júlio foi para casa e super animado com o ego inflamado,pois venceu seu medo,nervosismo e baixo auto-estima.
Durante a semana toda domingo,Júlio estava tão ansioso que não dormia direito de expectativa.
Chega domingo,Júlio tomou banho,perfurmou-se e saiu bem cedo para o encontro na Igreja Cristo Redentor.Chegando lá,ele não viu a Ana Cristina e entrou durante a missa e viu a na primeira fileira com seus pais,Júlio voltou para a escada para esperar a saída dela.
Termina a missa e começa a sair as pessoas e Júlio nervoso para encontrar com ela,mas viu os pais sairem e nada de Ana Cristina. Então Júlio entrou de novo dentro da igreja e viu ela,quando Ana viu que Júlio viu ela,Ana foge pela lateral da igreja com seu irmão.Júlio foi atrás,mas ela percebendo,foge pelo outro lado da igreja correndo para o estacionamento e entrando dentro do carro.
Júlio ficou tão arrasado que foi para casa e não falou com ninguém e nem comia direito perdendo quase 5 kilos.
Júlio apaixonado e determinado,sabia a rua onde ela morava e andou para cima e pra baixo para encontrá-la e nada.
Passado um tempo,um amigo chamou e disse para Júlio:
- Júlio esse é o Beto e conhece a Ana Cristina.
Júlio contou o que tinha acontecido e o Beto disse:
- Cara! ela faz isso com todos!Fez comigo também!
Júlio desanimado procurou esquecer mas essa ferida nunca iria cicatrizar

sexta-feira, 15 de maio de 2020

O amigo chinês

Em 1984,Cristiano estudava na escola municipal José de Alencar para recuperar o ano perdido,mas preocupado com as amizades que afetaram muito tendo problemas nas aulas e com isso repetido de ano.
Nos primeiros dias,Cristiano percebia que os amigos era legais e logo entraria para uma "gangue" onde tudo era brincadeira mas se alguém de fora se metesse zombando um dessa "gangue",esses amigos logo o defendiam.
Logo percebeu que tinha na sala um garoto de olhos puxados e falando português um pouco enrolado e o conheceu:
- Oi como se chama ?
- Olá me chamo Wu Yong 
- Como ???
- WU YONG!!!
- Você é de onde ?
- Sou chinês
- Cara o que você faz no Brasil ?
- Estudando o mesmo que você!Porra!
Cristiano riu e viu que Wu tinha um bom humor mas não era só isso. Nas aulas de matemática ,Wu se destacava de uma maneira incrivel na 6ª série,até um dia a professora chamou para o quadro negro para resolver uma equação e em minutos resolvia sempre dizendo:
- Muito fácil!Muito fácil!
A professora espantada perguntou:
- Wu,na China como são as aulas de matemática para eu ter uma idéia?
- Professora,aqui vocês estão tão atrasados que na China já aprendemos álgebra na infância!
O chinês então quando fazia as provas,terminava em minutos e sempre dizia ao entregar:
- Muito fácil!Muito fácil!
Wu só tirava 10! Nunca 9,9 ou 9,5,sempre 10!
Nas aulas de francês,o professor fazia a sala cantar algumas músicas em francês e a "gangue" aproveitava para tirar um sarro do chinês:
_Frère Jacques....Frère Jacques....Dormez-vous?....Dormez-vous?, cantando essa parte para o chinês por causa do seu nome e ele sempre respondia:
- Vai tomar no cu!! vai tomar no cu!!!
Anos passaram e cada um seguiu o seu caminho até um dia,o chinês Wu Yong tocou na portaria do prédio onde Cristiano morava e se lembrando foram para o playground e lá conversaram e jogaram bola:
- E ai Wu o que tem feito ?
-Trabalhando com meu pai na tinturaria
E Cristiano mostrou algumas revistas dos Beatles e Wu sempre dizia:
- São muito feios!
A conversa ficou mais séria quando falaram sobre a vida no Brasil e na China e Wu disse bem sincero e duro:
- Eu não entendo vocês brasileiros,porque querem comunismo? na China não são somos donos nem da nossa alma,imagine ser dono de sua vida,trabalho ou dinheiro. O governo só dá para gente migalhas e se reclamarmos,nos matam! Tudo pertence ao governo até a nossa vida! Procure um chinês que sorri,pois aprendemos a ficar calado desde que nascemos se não eles nos matam!
Aquilo deixou Cristiano tão sem palavra que não conversaram mais e nunca mais ele viu o seu amigo chinês.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Deus o seu verdadeiro pai

Em mais um dia,Lucio foi ajudar seu pai na padaria,mesmo não ganhando nada nem um obrigado e ficou desta vez atrás do balcão onde aparecia alguns comerciantes amigos da área em Copacabana,quando chegou o português José dono de uma quitanda:
- Boa tarde já está ai pra ajudar seu pai ?
- Sim seu José que posso fazer?
Seu José sempre vinha com piadas e mexia com pai do Lucio que era sempre quieto raramente se via uma risada no rosto dele.
Seu José tinha uma filha linda com cabelos pretos lisos,branquinha de olhos azuis e mais tarde ela apareceu na padaria e logo Lucio largou tudo pra atendê- lá.
- Olá que queres? 
- Me dá 100 gramas de pão de queijo.
Lucio estava pesando mas não tirava os olhos da garota até chegar seu José que era seu pai.
- Essa é a minha filha Isabele 
E quando Isabele pagou o pão de queijo e foi embora seu pai falou com Lucio baixinho. 
- Vou tentar juntar vocês dois ,que tal seu Manoel?  Dizendo ao pai do Lucio. 
Lucio estava feliz pois já era um bom motivo pra vim trabalhar na padaria pois além de não receber nada seu pai ainda humilhava Lucio na frente dos fregueses.
A maioria do tempo quando Lucio ficava atrás do balcão ficava olhando pensativo na área vendo como os pais tratavam seus filhos de forma diferente sendo mais carinhoso e agradável.
Quase ao meio dia apareceu seu Joaquim dono do açougue que ficava do outro lado da calcada de frente a padaria e seu Joaquim apareceria sempre fumando um grande cachimbo:
- Olá garoto cadê seu pai? 
- Está lá em cima no escritório 
- Então depois eu falo com ele 
Quase saindo chegava seu filho ,se chamava Alexandre conhecido como “variguinho". Alexandre sempre aparecia em Copacabana com uma prancha de surf e pedia dinheiro ao pai e a chave do carro que seu Joaquim logo dava:
- Meu filho Alexandre sempre está com uma garota,você tem que arruma uma também ou mais de uma ! Disse seu Joaquim rindo.
- Ele estuda ou te ajuda no açougue?
- Não que nada! Toca bateria numa banda de rock e gosto que ele aproveita a vida! Dinheiro é para isso! Até mais tarde!
Lucio então acompanhava triste todo dia vendo o filho do açougueiro vindo pega a chave e o dinheiro com seu pai com a prancha de surf e ir até a praia de Copacabana enquanto seu pai dava alguns trocados mesmo exigindo por ter ajudado o. Seu pai dizia que ele estava ali para pagar a comida que comia em casa que só tinha obrigação de sustentá-lo até os vinte um anos. 
 Anos se passaram depois da venda da padaria e Lucio cuidou de seu pai até sua morte e num certo dia saindo pra almoçar numa churrascaria esbarrou com Alexandre:
- Fala cara! Quando tempo? 
Lucio estranhou pois ele nunca falava com ele.
- Oba e aí?
- Cara você tem como me emprestar uns trocados pois eu preciso ir a delegacia pois me tomaram o meu carro e pediram dinheiro pra liberar.
Lucio percebeu que Alexandre além de está com bafo de cachaça seus olhos estavam bem vermelhos dizendo nada de concreto:
- Desculpe não tenho só da passagem do metrô que vou pegar agora. 
- Pó!cara! Seu pai tinha padaria e você vive do que ?
- Empresário do mercado imobiliário 
- Então! Como não tem ?
Lucio foi saindo fora e se despediu do Alexandre mas cruzou com ele várias sempre pedindo um dinheiro. 
Lucio logo descobriria através de uns amigos da igreja que Alexandre tinha se envolvido com drogas e era viciado também em beber que já havia sido preso algumas vezes e a garota dos olhos azuis a Isabele tinha engravidado de um cara bem de vida socialmente com intenção de viver de pensão mas o filho não era do cara tendo de pagar até o processo e indenização .
Lucio depois de saber tudo isso e o que passou vendo como sua vida era segura e honesta ,mesmo sozinho ,entrou na igreja e disse:
- DEUS é muito pai! 

terça-feira, 3 de setembro de 2019

O pipoqueiro português

Todos os domingos,Celeste levava os filhos Bruno e Ana para passear à noite pela praia de Botafogo,uns dos raros momentos de entretenimento da família e sempre paravam ou no Bob's para tomar um sorvete de baunilha com biscoito waffle ou paravam no pipoqueiro que ficava parado sempre na porta da antiga Sears,que agora se chama Botafogo Praia Shopping.O cheiro era viciante pois tinha pipoca salgada banhada com manteiga ou pipoca doce com muito caramelo e num domigo Celeste e os filhos pararam para comer:
-Olá boa noite tem pipoca de quanto?
-Tem de 1...2...4 cruzeiros 
-Ok me dá de 1 cruzeiro
-Salgada ou doce?
-Misturada mas com pouca pipoca doce por cima.
-Tá bom
A Celeste percebendo o forte sotaque que relembrava de onde veio perguntou:
-O senhor é português?
-Sim e percebo que a senhora também é pois nós sempre reconhecemos 
-Sou transmontana
-Bonito lugar! sou de Carrazedo de Anciães
-Cheguei aqui em 55. disse a Celeste
-Eu cheguei em 50. disse o pipoqueiro
Conversa vem conversa vai o pipoqueiro contou sobre sua vida:
-A senhora sabe que eu cheguei aqui com uma mão na frente e outra atrás como todos nós vindo da terra e consegui arrumar um serviço e com o dinheiro que ganhei comprei uma carrocinha de pipoca,comprei minha casa,comprei meu carro,montei minha familia e criei meus filhos tudo com essa carrocinha.
-O senhor voltou a visitar lá ?
-Sim fui duas vezes em Portugal mas prendendo voltar de vez.
-Porque ?
-Porque eu trabalhei muito para chegar aonde eu cheguei aqui no Brasil vendendo pipoca mas o brasileiro é um povo invejoso e a senhora sabe o que nos chamam aqui ? de ladrão! e os políticos que nada fazem por nós ainda dão razão a esse povo.
A Celeste com olhar pensativo,sentindo na pele pegou o saco de pipoca e pagou ao senhor.
Mesmo depois de algumas vezes comprando dele,um dia ele não apareceu mais e nunca mais foi visto na porta da Sears.

terça-feira, 30 de abril de 2019

O "inútil"

Desde de pequeno Hélio sentia a falta da presença de seu pai ,apesar que vivia com ele mas a sensação era ter sido largado.
Ele corria para a porta todos os dias quando ele chegava do trabalho às 11 da noite ,esperando algum afeto por ele mas entrava, sentava, comia, depois de trocar de roupa iria assistir TV mas logo dava boa noite a esposa para dormir.
Ele trabalhava duro de domingo a domingo e tinha uma folga por mês mas depois de alguns anos  voltava domingo à tarde para casa mas chegava e descansava um pouco.
O lazer da família era dá uma volta de carro pela orla do Rio de Janeiro .
Anos foram passando sempre desta maneira mas nenhuma vez seu pai entrava no quarto para perguntar se estava tudo bem ou triste ao filho Hélio, nem brincava com ele em casa ou no parque.
Depois de anos de insistência de tentar chamar atenção do pai de forma as vezes bruta, seu pai começou a desprezar mais o Hélio com xingamentos e frases que desmotivava o e uma ficou sempre corriqueira chamando de “inútil “. Tinha vezes que chamava Hélio mais de “inútil “ do que por nome. Qualquer coisa era “você é um inútil “ ou “faça isso o inútil “ ou “vem cá o inútil”. Hélio mesmo assim cuidou do pai até a morte.
Depois Hélio estava vivendo com sua mãe, uma pessoa desprovida de amor e carinho aos filhos parecendo mais uma empregada que cozinhava e lavava sem se preocupar se o Hélio estava feliz ou triste mas não era rude como seu pai.
Passando os anos depois de dois acidentes domésticos e uma operação com sua mãe, ela adoeceu rápido sendo levada as pressas num táxi para o hospital mas não resistindo.
Hélio hoje em dia vive sozinho e carente ,mas o “inútil “ que cresceu escutando isso sempre do seu pai além de ter cuidado dele e de sua mãe até a morte ainda cuidou do patrimônio chegando a aumentar em poucos anos.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Hoje é dia de rock!

Sábado de sol no Rio de Janeiro e de manhã quase chegando a tarde,Bruno é acordado pela mãe:
- É o Alex no telefone! 
Com voz de sono :
- Fala...
- Aí bicho coloca uma roupa pois vou passar por aí para te pegar e trás a guitarra ,amplificador, microfone...tudo pra cá! 
- Ok porque?
- Estou sozinho em casa aqui na Barra e está um saco e vamos fazer barulho!
Passado uma hora , Bruno desce com tudo e coloca no carro pegando caminho para a casa do Alex na Barra escutando Soundgarden. Chegando Alex conta o seu plano:
- Cara vamos tocar e fazer barulho pois ontem teve uma festa aqui na frente do meu prédio que tocaram pagode e funk até de manhã cedo e alto pra cacete então quero dar o troco!
Então Alex e Bruno aos risos começam a montar os amplificadores com Bruno na guitarra e Alex no baixo com microfones para cantar tudo na varanda do apartamento de frente para o prédio vizinho na silenciosa Barra.
 E o rock começa a rolar ao som de Ramones e Nirvana tocando Territorial Pissings brindando com cerveja direto que nem água .
E a tarde cai e começa a noite ao som de Black Night e Running Free do Iron Maiden com chão cheio de latinhas de cervejas vazias.
Entra a madrugada já bêbados, Alex e Bruno ficam fazendo uma jam e uma janela do prédio da frente se abre e aparece um cara gritando:
- Porra! Vão tomar no cu! Desliga essa merda!
Mas como todo bêbado é surdo e com a cabeça cheia de cerveja não pararam e ainda brindaram o fígado com a vodka Natasha e cantam bem alto a música Don't Let Me Down.
Mas como ninguém é de ferro param e vão dormir apagando na cama que nem pedra!
No outro dia acordam no começo da tarde com o gosto de cabo de guarda chuva na boca e uma ressaca tremenda vão tomar café e Alex fala para Bruno:
- Cara a gente fez tanta zoeira ontem na varanda que estou com medo de aparecer lá. 
E Bruno responde: 
- O difícil é lembrar de algo pois a gente bebeu que nem dois gambás.
- Sim mas demos o troco o cara estava muito puto! Hahaha! 

domingo, 6 de janeiro de 2019

Pipocando

Em um dia de domingo aproveitando que seu pai estava em casa descansando do trabalho,Luís decidi agradar seu pai preparando um pouco de pipoca a noite.
Luís então untou a panela com manteiga e quando derreteu colocou o milho e fechou a tampa.
Depois de ter feito um pouco de pipoca salgada decidiu fazer doce jogando açúcar na panela no fogo brando fazendo um caramelo e jogou uma pouco da pipoca e misturou fazendo 2 pratos.
Sua mãe veio na cozinha para ver o que estava acontecendo:
- O que você está fazendo ?
- Eu fiz um pouco de pipoca doce e salgada para o pai para ver o que ele acha e se gostou. 
- Depois você vai ter que limpar tudo.
- Ok
Então depois de esperar a mãe ir para o quarto onde seu pai estava assistindo TV,Luís então levou os 2 pratos.
- Eu trouxe para senhor um pouco de pipoca que eu fiz 
Seu pai pegou um pouco e comeu :
- Que bom ! Já sabe fazer algo eu já posso te colocar para fora da porta de casa.

domingo, 26 de agosto de 2018

Boca Maldita

Tendo somente 1 domingo por mês para descansar, o senhor Joaquim vai para padaria às 02 da tarde para começar sua jornada e com ele trás seu filho Bruno para ajudar com 14 anos.
Bruno começa a trazer lá do estoque caixas de madeira com Coca-Cola , garrafas de 1 litro de vidro para abastecer as geladeiras . Com muito esforço,  Bruno trás com a coluna parecendo um arco e depois pega os pães de forma para serem cortados e fatiados na máquina para depois empacota-los.
De vez enquanto,  Bruno atende os fregueses até entrar na padaria um cara estranho segurando um saco
- Boa tarde o que deseja ? Pergunta Bruno ao cara .
O cara nem deu atenção ao Bruno e seu pai Joaquim chama o Bruno para perto dele fazendo gesto de calar a boca. O cara entra ,abre aonde tem os biscoitos amanteigados , mete a mão enchendo e pesa o saco que segurava na balança da padaria e sai da loja sem mais nem menos. 
- Hei Pai ? Não vai nada? 
 E o pai faz o gesto de calar a boca mas depois diz
- Não se mete ! Fica na sua! É  um traficante e estava pesando a droga.  Você  quer se meter com essa gente ? Então fica na sua e fica quieto.
Então Bruno continua as suas funções sempre trazendo pães quentes e atendendo os fregueses. 
À noite passando das 09 era hora de fechar , seu pai Joaquim fez o balanço do dia e Bruno aproveitou enquanto estava sozinho na padaria então ambos saem pela garagem do prédio para irem para casa até que olha assustado no poste da rua uma cabeça pendurada com um cartaz dizendo “ esse não pagou o que devia “ e Bruno ficou mais surpreso em saber que a cabeça era do cara que tinha entrado na loja onde seu pai dizia que era traficante. 

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O outro lado do espelho

Fim de semana chega e José vai encontrar com amigo Alexandre para tomar um chopp perto do seu trabalho na Cinelândia.
- E ai vamos aonde José? Pergunta Alexandre 
- Que tal lá naquele lugar perto do Teatro Rival ? Tem um ótimo chopp além de umas boas coxinhas e risoles de camarão? 
- Boa! Estou com fome!
Alexandre e José vão andando e entram na rua Álvaro Alvim quando José escuta uma música muito familiar e fica super animado. 
-Eita que lugar é esse ? Estão tocando Payback do James Brown!
-Porra bicho aqui era uma loja de produtos eróticos! 
- Sim me lembro mas está rolando uma festa soul!
José chega mais perto e fica curioso até um cara afro com estilo black power impedi.
-Aqui não é para você! Oh branquelo!
-Como não ? Se eu pagar a entrada não tem problema!
- Sim mas aqui é uma festa soul e é só para quem curte! Falô branquinho ?
- Mas eu gosto de funk e soul ! Eu gosto de James Brown, Stevie Wonder, BT Express , Sly and The Family Stone, Fred Wesley , Maceo Parker, Lyn Collins , Tony Bizarro , União Black...
E José metralha com vários nomes até deixar o cara na porta assustado e sem jeito.
- Eh o branquinho manja da turma!
- Sim eu gosto muito e não sou branquelo e nem branquinho! Você gostaria que te chamassem pela sua cor?
- Claro que não! Aí é racismo!
José sai e vai até o bar beber em frente ao Teatro Rival com Alexandre jamais esquecendo esse dia.

domingo, 1 de julho de 2018

Casa Feliz

Toda manhã Júlio acordava para ir a escola e quando voltava para casa chegava na hora do almoço. A sua mãe preparava a comida para ele, seu pai e sua irmã ao som da rádio Globo.
- Cheguei !
- Senta para comer e não demore pois você vai comigo na padaria para me ajudar, disse o pai
- De novo!?
- Sim não sei o que reclama não faz nada lá 
- Se eu não faço nada porque continua a me chamar? Não ganho nada indo lá!
- Já está recebendo pela comida 
Quando mudava de ano Júlio iria estudar a tarde mas seu pai acordava com balde de água fria ou puxões nos pés dele às 03 da manhã onde iriam para padaria ao som de Aguenta Coração de José Augusto todas as vezes.
Quando chegava em casa as 2 da tarde para comer sentavam todos na mesa o seu pai, sua irmã e sua mãe sem comentários.
Durante 24 anos essa era a rotina de Júlio dentro de casa quando brincava com sua irmã a sua mãe vinha separá-los sem razão nenhuma.
Júlio se lembrava das primeiras aulas de alfabetização onde tinham uns cartazes no quadro negro escritos “casa feliz “,”papai” e “mamãe “. Então ele começa a perceber de outros pais de seus amigos e ver que nunca tinha visto o seu pai e sua mãe se beijarem e pergunta à sua irmã:
- Bia! Alguma vez você viu o pai e a mãe se beijarem nesses anos ?
- Não só uma vez eu vi eles de mãos dadas indo a igreja e mais nada. Eles nunca perguntam a nós se estamos bem ou felizes ou tristes! 

domingo, 3 de junho de 2018

Alma


Sou a força central do corpo
A lucidez e a razão são como meus filhos
O bem é meu alimento
Não me alimento de ódio mas me mantém alerta

Religiões me usam como prêmio para ter felicidade
Guiando para chegar a um Deus 
Livros e doutores me explicam 
Mas esquecem que tudo vem do coração 

Homens e mulheres se matam quando me abandonam 
Perdendo a razão no sentido da vida
Esquecendo que preciso sempre ser alimentado 
E só abandono quando chega a minha hora de partir

Quanto mais sou limpo e transparente como a água 
Melhor sou forte para servir 
Se me sujo a razão me abandona
Como um  cego de braços amarrados 

A bondade é um prato largo e sem fundo
Que dele todos compartilho para eu continuar a viver

domingo, 20 de maio de 2018

Egoísmo


Era uma vez um dedo...
Opa...
Era uma vez uma mão...
Bem...
Era uma vez um braço...
Droga...
Era uma vez um ser humano...

Voe pensamento


Vento vento 
Que leva longe meu pensamento
Que minhas feridas curem os solitários 
Que meu desejo por amor alerte os carentes
Que meu ódio se esconda num túmulo 
Que minha esperança faça um mundo melhor

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Manuel o homem do buraco no peito

Em uma aldeia distante morava um senhor chamado Manuel que se dizia “o homem do buraco no peito”.
Manuel tinha o olhar triste e parado no horizonte, mas cumprimentava a todos por onde andava sempre educado, um homem de posses, mas humilde.
Certo dia, um morador querendo saber o porquê dele se autodominar “o homem do buraco no peito” chamou Manuel e perguntou:
-Vem cá Manuel, como vai o amigo?
-Vou levando como sempre faço e o amigo?
-Bem, mas Manuel não quero me meter na sua vida, mas é você que fala que é “o homem do buraco no peito”, mas porque o amigo diz isso? Não vejo nada no peito! Explica-me...
-Simples! Como você se sente quando falta algo dentro de si que precisa ser preenchido, mas enquanto isso não acontece você sente um vazio como tivesse um buraco no peito? Esse sou eu!
-Mas vejo que amigo tem tudo que uma pessoa precisa para viver, mas o que lhe falta?
-Amor... carinho....
-Ué, mas o amigo não tem uma companheira?
-Durante anos eu tentei, fui simpático, romântico, engraçado, safado quando devemos ser, pois você não leva santo pra cama!? E só tive decepção uma atrás da outra sem dizer que a maioria encheram meu saco e minha vida com absurdos porque perceberam que só começaram a me dar o valor depois que tinha cansado e desistido.
-Sim amigo vi algumas pelo menos duas enchendo e te perseguindo até a porta de casa com palavras de esgoto! Mas e os pais?
-Meu pai me batia e me chamava de inútil até ele morrer quando eu tinha 24 anos e o inútil aqui cuidou dele e das suas posses e minha mãe cuidei até ela morrer sem ter me chamado de filho no dia a dia sem me agradecer a nada.
-Mas assim o amigo vai pensar que ninguém gosta de você?
-Mas como posso pensar ao contrário depois disso tudo que me aconteceu até hoje com 45 anos? Como se sente um cachorro quando apanha a vida toda?
-Eita!Mas você precisa viajar ir às festas. quero dizer viver!
-Sim eu posso fazer isso tudo, mas o vazio sempre estará comigo enquanto não tampar esse buraco no peito! Eu posso ir às festas, dançar, comer, transar, viajar, mas enquanto tiver esse buraco no peito sempre vou sentir que faltará algo como se fosse perder o paladar das comidas.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Procurando Ana Cristina na Rua Alice


Fim de tarde de domingo tranquila e Adalberto sai de casa para ir à Igreja Cristo Redentor para encontrar os amigos do grupo jovem de teatro.
-E ai pessoal? Cadê o resto?
-Devem chegar daqui a pouco. Disse João
O sino toca e começa a chegar várias pessoas para a missa das 18 horas e Adalberto logo fixa os olhos sobre uma menina que chegava com os pais
-Eita! Que gata! Eu me lembro dela, estudou comigo no José de Alencar.
-É a Ana Cristina filha do meu ex-patrão disse João
Adalberto entra e fica circulando pela igreja com os olhos atentos sobre Ana Cristina, quando num momento ela percebe que está sendo vista e olha para o Adalberto dando um sorriso jogando os cabelos lisos e negros como uma flecha.
A missa vai terminando e Adalberto é o primeiro a sair da igreja esperando por Ana Cristina quando sai com seus pais e com voz nervosa suando as mãos...
-Ana Cristina? Oi?
E Ana Cristina escuta e chega perto falando para os seus pais que esperem no carro que ela viria.
-Olá! Tudo bem? Disse Ana
-Oi! Tudo! Acho que você se lembra de mim? Estudamos no José de Alencar!
-Sim! Sim! Lembro-me, você era o mais quietinho!
-Você continua como sempre, muito linda!
-Obrigado! Disse Ana com um sorriso jogando outra flecha sobre Adalberto
-Bem. Ana..você gostaria de sair comigo? Cinema ou andar de pedalinho na Lagoa ou dá milho aos pombos?
Ana cai numa risada jogando o cabelo dando um sorriso que conquista para Adalberto...
-Cinema seria melhor! Tem alguns do Largo do Machado e São Luiz que eu gostaria de ver.
-Boa! Que tal te pegar depois da missa vamos lá e escolhemos?
-Ok aceito! Seria legal!
-Legal! Marcado!
-Ok! Beijando o Adalberto no rosto e se despedindo
Adalberto estava flutuando, jamais imaginaria que iria sair com Ana Cristina paixão antiga do José de Alencar.
Depois de uma semana sem dormir direito de tanta ansiedade planejando mil ideias com Ana Cristina o dia tinha chegado e Adalberto viu que ela tinha chegado e ele ficou na porta da igreja todo arrumado e perfumando para Ana Cristina.
Quando terminou a missa ele percebeu que os pais tinham saído e ela nada, então Adalberto entra e circula a igreja e acha Ana Cristina saindo pela porta dos fundos da igreja e Adalberto foi atrás e percebeu Ana Cristina se escondendo e fugindo por trás dos carros do estacionamento e ela corre para dentro do carro dos pais e Adalberto chama...
-Ana? Ana?!
Desolado Adalberto fica sem ação como uma luz dentro de si tinha queimado, mas não desistiu através do seu amigo João descobre que ela mora na Rua Alice.
E Adalberto sobe a ladeira até lá em cima da Rua Alice com esperança de cruzar com Ana Cristina, mas sem sorte.
No outro dia Adalberto foi falar com João e ele apresentou um amigo...
-Cara esse é o Luiz, ele conhecia a Ana Cristina.
E Adalberto conta ao Luiz o acontecido e Luiz responde...
-Adalberto, a Ana Cristina é assim mesmo aceita o convite de todos os caras e some, ela não presta! Ela vai à igreja com a cabeça no lixo!
Anos se passaram e Adalberto esquece descobrindo que ela tinha se casado com um cara que tratava a como um lixo e tinha três filhos.

Gafieira Alvorada

  Rio de Janeiro Bairro Botafogo Década 1970 e o Rio pegando fogo 24 horas, dia até a noite. Na Rua da Passagem, morava um garoto cham...