domingo, 26 de agosto de 2018

Boca Maldita

Tendo somente 1 domingo por mês para descansar, o senhor Joaquim vai para padaria às 02 da tarde para começar sua jornada e com ele trás seu filho Bruno para ajudar com 14 anos.
Bruno começa a trazer lá do estoque caixas de madeira com Coca-Cola , garrafas de 1 litro de vidro para abastecer as geladeiras . Com muito esforço,  Bruno trás com a coluna parecendo um arco e depois pega os pães de forma para serem cortados e fatiados na máquina para depois empacota-los.
De vez enquanto,  Bruno atende os fregueses até entrar na padaria um cara estranho segurando um saco
- Boa tarde o que deseja ? Pergunta Bruno ao cara .
O cara nem deu atenção ao Bruno e seu pai Joaquim chama o Bruno para perto dele fazendo gesto de calar a boca. O cara entra ,abre aonde tem os biscoitos amanteigados , mete a mão enchendo e pesa o saco que segurava na balança da padaria e sai da loja sem mais nem menos. 
- Hei Pai ? Não vai nada? 
 E o pai faz o gesto de calar a boca mas depois diz
- Não se mete ! Fica na sua! É  um traficante e estava pesando a droga.  Você  quer se meter com essa gente ? Então fica na sua e fica quieto.
Então Bruno continua as suas funções sempre trazendo pães quentes e atendendo os fregueses. 
À noite passando das 09 era hora de fechar , seu pai Joaquim fez o balanço do dia e Bruno aproveitou enquanto estava sozinho na padaria então ambos saem pela garagem do prédio para irem para casa até que olha assustado no poste da rua uma cabeça pendurada com um cartaz dizendo “ esse não pagou o que devia “ e Bruno ficou mais surpreso em saber que a cabeça era do cara que tinha entrado na loja onde seu pai dizia que era traficante. 

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O outro lado do espelho

Fim de semana chega e José vai encontrar com amigo Alexandre para tomar um chopp perto do seu trabalho na Cinelândia.
- E ai vamos aonde José? Pergunta Alexandre 
- Que tal lá naquele lugar perto do Teatro Rival ? Tem um ótimo chopp além de umas boas coxinhas e risoles de camarão? 
- Boa! Estou com fome!
Alexandre e José vão andando e entram na rua Álvaro Alvim quando José escuta uma música muito familiar e fica super animado. 
-Eita que lugar é esse ? Estão tocando Payback do James Brown!
-Porra bicho aqui era uma loja de produtos eróticos! 
- Sim me lembro mas está rolando uma festa soul!
José chega mais perto e fica curioso até um cara afro com estilo black power impedi.
-Aqui não é para você! Oh branquelo!
-Como não ? Se eu pagar a entrada não tem problema!
- Sim mas aqui é uma festa soul e é só para quem curte! Falô branquinho ?
- Mas eu gosto de funk e soul ! Eu gosto de James Brown, Stevie Wonder, BT Express , Sly and The Family Stone, Fred Wesley , Maceo Parker, Lyn Collins , Tony Bizarro , União Black...
E José metralha com vários nomes até deixar o cara na porta assustado e sem jeito.
- Eh o branquinho manja da turma!
- Sim eu gosto muito e não sou branquelo e nem branquinho! Você gostaria que te chamassem pela sua cor?
- Claro que não! Aí é racismo!
José sai e vai até o bar beber em frente ao Teatro Rival com Alexandre jamais esquecendo esse dia.

domingo, 1 de julho de 2018

Casa Feliz

Toda manhã Júlio acordava para ir a escola e quando voltava para casa chegava na hora do almoço. A sua mãe preparava a comida para ele, seu pai e sua irmã ao som da rádio Globo.
- Cheguei !
- Senta para comer e não demore pois você vai comigo na padaria para me ajudar, disse o pai
- De novo!?
- Sim não sei o que reclama não faz nada lá 
- Se eu não faço nada porque continua a me chamar? Não ganho nada indo lá!
- Já está recebendo pela comida 
Quando mudava de ano Júlio iria estudar a tarde mas seu pai acordava com balde de água fria ou puxões nos pés dele às 03 da manhã onde iriam para padaria ao som de Aguenta Coração de José Augusto todas as vezes.
Quando chegava em casa as 2 da tarde para comer sentavam todos na mesa o seu pai, sua irmã e sua mãe sem comentários.
Durante 24 anos essa era a rotina de Júlio dentro de casa quando brincava com sua irmã a sua mãe vinha separá-los sem razão nenhuma.
Júlio se lembrava das primeiras aulas de alfabetização onde tinham uns cartazes no quadro negro escritos “casa feliz “,”papai” e “mamãe “. Então ele começa a perceber de outros pais de seus amigos e ver que nunca tinha visto o seu pai e sua mãe se beijarem e pergunta à sua irmã:
- Bia! Alguma vez você viu o pai e a mãe se beijarem nesses anos ?
- Não só uma vez eu vi eles de mãos dadas indo a igreja e mais nada. Eles nunca perguntam a nós se estamos bem ou felizes ou tristes! 

domingo, 3 de junho de 2018

Alma


Sou a força central do corpo
A lucidez e a razão são como meus filhos
O bem é meu alimento
Não me alimento de ódio mas me mantém alerta

Religiões me usam como prêmio para ter felicidade
Guiando para chegar a um Deus 
Livros e doutores me explicam 
Mas esquecem que tudo vem do coração 

Homens e mulheres se matam quando me abandonam 
Perdendo a razão no sentido da vida
Esquecendo que preciso sempre ser alimentado 
E só abandono quando chega a minha hora de partir

Quanto mais sou limpo e transparente como a água 
Melhor sou forte para servir 
Se me sujo a razão me abandona
Como um  cego de braços amarrados 

A bondade é um prato largo e sem fundo
Que dele todos compartilho para eu continuar a viver

domingo, 20 de maio de 2018

Egoísmo


Era uma vez um dedo...
Opa...
Era uma vez uma mão...
Bem...
Era uma vez um braço...
Droga...
Era uma vez um ser humano...

Voe pensamento


Vento vento 
Que leva longe meu pensamento
Que minhas feridas curem os solitários 
Que meu desejo por amor alerte os carentes
Que meu ódio se esconda num túmulo 
Que minha esperança faça um mundo melhor

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Manuel o homem do buraco no peito

Em uma aldeia distante morava um senhor chamado Manuel que se dizia “o homem do buraco no peito”.
Manuel tinha o olhar triste e parado no horizonte, mas cumprimentava a todos por onde andava sempre educado, um homem de posses, mas humilde.
Certo dia, um morador querendo saber o porquê dele se autodominar “o homem do buraco no peito” chamou Manuel e perguntou:
-Vem cá Manuel, como vai o amigo?
-Vou levando como sempre faço e o amigo?
-Bem, mas Manuel não quero me meter na sua vida, mas é você que fala que é “o homem do buraco no peito”, mas porque o amigo diz isso? Não vejo nada no peito! Explica-me...
-Simples! Como você se sente quando falta algo dentro de si que precisa ser preenchido, mas enquanto isso não acontece você sente um vazio como tivesse um buraco no peito? Esse sou eu!
-Mas vejo que amigo tem tudo que uma pessoa precisa para viver, mas o que lhe falta?
-Amor... carinho....
-Ué, mas o amigo não tem uma companheira?
-Durante anos eu tentei, fui simpático, romântico, engraçado, safado quando devemos ser, pois você não leva santo pra cama!? E só tive decepção uma atrás da outra sem dizer que a maioria encheram meu saco e minha vida com absurdos porque perceberam que só começaram a me dar o valor depois que tinha cansado e desistido.
-Sim amigo vi algumas pelo menos duas enchendo e te perseguindo até a porta de casa com palavras de esgoto! Mas e os pais?
-Meu pai me batia e me chamava de inútil até ele morrer quando eu tinha 24 anos e o inútil aqui cuidou dele e das suas posses e minha mãe cuidei até ela morrer sem ter me chamado de filho no dia a dia sem me agradecer a nada.
-Mas assim o amigo vai pensar que ninguém gosta de você?
-Mas como posso pensar ao contrário depois disso tudo que me aconteceu até hoje com 45 anos? Como se sente um cachorro quando apanha a vida toda?
-Eita!Mas você precisa viajar ir às festas. quero dizer viver!
-Sim eu posso fazer isso tudo, mas o vazio sempre estará comigo enquanto não tampar esse buraco no peito! Eu posso ir às festas, dançar, comer, transar, viajar, mas enquanto tiver esse buraco no peito sempre vou sentir que faltará algo como se fosse perder o paladar das comidas.

Gafieira Alvorada

  Rio de Janeiro Bairro Botafogo Década 1970 e o Rio pegando fogo 24 horas, dia até a noite. Na Rua da Passagem, morava um garoto cham...