domingo, 20 de maio de 2018
Egoísmo
Era uma vez um dedo...
Opa...
Era uma vez uma mão...
Bem...
Era uma vez um braço...
Droga...
Era uma vez um ser humano...
Voe pensamento
Vento vento
Que leva longe meu pensamento
Que minhas feridas curem os solitários
Que meu desejo por amor alerte os carentes
Que meu ódio se esconda num túmulo
Que minha esperança faça um mundo melhor
Que leva longe meu pensamento
Que minhas feridas curem os solitários
Que meu desejo por amor alerte os carentes
Que meu ódio se esconda num túmulo
Que minha esperança faça um mundo melhor
quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
Manuel o homem do buraco no peito
Em uma aldeia distante morava um senhor chamado Manuel que
se dizia “o homem do buraco no peito”.
Manuel tinha o olhar triste e parado no horizonte, mas
cumprimentava a todos por onde andava sempre educado, um homem de posses, mas
humilde.
Certo dia, um morador querendo saber o porquê dele se
autodominar “o homem do buraco no peito” chamou Manuel e perguntou:
-Vem cá Manuel, como vai o amigo?
-Vou levando como sempre faço e o amigo?
-Bem, mas Manuel não quero me meter na sua vida, mas é você
que fala que é “o homem do buraco no peito”, mas porque o amigo diz isso? Não
vejo nada no peito! Explica-me...
-Simples! Como você se sente quando falta algo dentro de si
que precisa ser preenchido, mas enquanto isso não acontece você sente um vazio
como tivesse um buraco no peito? Esse sou eu!
-Mas vejo que amigo tem tudo que uma pessoa precisa para
viver, mas o que lhe falta?
-Amor... carinho....
-Ué, mas o amigo não tem uma companheira?
-Durante anos eu tentei, fui simpático, romântico,
engraçado, safado quando devemos ser, pois você não leva santo pra cama!? E só
tive decepção uma atrás da outra sem dizer que a maioria encheram meu saco e
minha vida com absurdos porque perceberam que só começaram a me dar o valor
depois que tinha cansado e desistido.
-Sim amigo vi algumas pelo menos duas enchendo e te
perseguindo até a porta de casa com palavras de esgoto! Mas e os pais?
-Meu pai me batia e me chamava de inútil até ele morrer quando
eu tinha 24 anos e o inútil aqui cuidou dele e das suas posses e minha mãe
cuidei até ela morrer sem ter me chamado de filho no dia a dia sem me agradecer
a nada.
-Mas assim o amigo vai pensar que ninguém gosta de você?
-Mas como posso pensar ao contrário depois disso tudo que me
aconteceu até hoje com 45 anos? Como se sente um cachorro quando apanha a vida toda?
-Eita!Mas você precisa viajar ir às festas. quero dizer
viver!
-Sim eu posso fazer isso tudo, mas o vazio sempre estará
comigo enquanto não tampar esse buraco no peito! Eu posso ir às festas, dançar,
comer, transar, viajar, mas enquanto tiver esse buraco no peito sempre vou
sentir que faltará algo como se fosse perder o paladar das comidas.
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
Procurando Ana Cristina na Rua Alice
Fim de tarde de domingo tranquila e Adalberto sai de casa
para ir à Igreja Cristo Redentor para encontrar os amigos do grupo jovem de
teatro.
-E ai pessoal? Cadê o resto?
-Devem chegar daqui a pouco. Disse João
O sino toca e começa a chegar várias pessoas para a missa
das 18 horas e Adalberto logo fixa os olhos sobre uma menina que chegava com os
pais
-Eita! Que gata! Eu me lembro dela, estudou comigo no José
de Alencar.
-É a Ana Cristina filha do meu ex-patrão disse João
Adalberto entra e fica circulando pela igreja com os olhos
atentos sobre Ana Cristina, quando num momento ela percebe que está sendo vista
e olha para o Adalberto dando um sorriso jogando os cabelos lisos e negros como
uma flecha.
A missa vai terminando e Adalberto é o primeiro a sair da
igreja esperando por Ana Cristina quando sai com seus pais e com voz nervosa
suando as mãos...
-Ana Cristina? Oi?
E Ana Cristina escuta e chega perto falando para os seus
pais que esperem no carro que ela viria.
-Olá! Tudo bem? Disse Ana
-Oi! Tudo! Acho que você se lembra de mim? Estudamos no José
de Alencar!
-Sim! Sim! Lembro-me, você era o mais quietinho!
-Você continua como sempre, muito linda!
-Obrigado! Disse Ana com um sorriso jogando outra flecha
sobre Adalberto
-Bem. Ana..você gostaria de sair comigo? Cinema ou andar de
pedalinho na Lagoa ou dá milho aos pombos?
Ana cai numa risada jogando o cabelo dando um sorriso que
conquista para Adalberto...
-Cinema seria melhor! Tem alguns do Largo do Machado e São
Luiz que eu gostaria de ver.
-Boa! Que tal te pegar depois da missa vamos lá e
escolhemos?
-Ok aceito! Seria legal!
-Legal! Marcado!
-Ok! Beijando o Adalberto no rosto e se despedindo
Adalberto estava flutuando, jamais imaginaria que iria sair
com Ana Cristina paixão antiga do José de Alencar.
Depois de uma semana sem dormir direito de tanta ansiedade
planejando mil ideias com Ana Cristina o dia tinha chegado e Adalberto viu que
ela tinha chegado e ele ficou na porta da igreja todo arrumado e perfumando
para Ana Cristina.
Quando terminou a missa ele percebeu que os pais tinham
saído e ela nada, então Adalberto entra e circula a igreja e acha Ana Cristina
saindo pela porta dos fundos da igreja e Adalberto foi atrás e percebeu Ana
Cristina se escondendo e fugindo por trás dos carros do estacionamento e ela
corre para dentro do carro dos pais e Adalberto chama...
-Ana? Ana?!
Desolado Adalberto fica sem ação como uma luz dentro de si
tinha queimado, mas não desistiu através do seu amigo João descobre que ela mora
na Rua Alice.
E Adalberto sobe a ladeira até lá em cima da Rua Alice com
esperança de cruzar com Ana Cristina, mas sem sorte.
No outro dia Adalberto foi falar com João e ele apresentou
um amigo...
-Cara esse é o Luiz, ele conhecia a Ana Cristina.
E Adalberto conta ao Luiz o acontecido e Luiz responde...
-Adalberto, a Ana Cristina é assim mesmo aceita o convite de
todos os caras e some, ela não presta! Ela vai à igreja com a cabeça no lixo!
Anos se passaram e Adalberto esquece descobrindo que ela
tinha se casado com um cara que tratava a como um lixo e tinha três filhos.
sexta-feira, 11 de agosto de 2017
A vida entre duas calçadas
A vida passa rapidamente para o Jorge que experimenta ficar alguns dias como dono da Padaria em Copacabana, a princesinha velha e
desgastada do Rio de Janeiro, enquanto seu pai corre para Portugal para visitar
sua mãe que estava à beira da morte, sem levar Jorge para conhecer a sua avó, porque
seu pai achava que iria envergonhá-lo.
Em um dia raramente calmo, dois quarteirões da “boca maldita”,
Jorge chega à porta da padaria para olhar o movimento na rua, pensando na vida
o que fazer e se aquilo traria algum prazer, quando olha e percebe o portão da
portaria do prédio abrindo e saindo duas pessoas carregando um caixão e Jorge
pergunta ao porteiro:
-Zé! Quem morreu?
-Foi aquela senhora do 302! Morreu dormindo.
No exato momento acontecia no outro lado da calçada em um bar pé sujo uma festa com cinco homens com muita cerveja onde o aniversário
era do filho do traficante da área que fazia cinco anos e seu pai fazia questão
que o filho tomasse a cerveja dizendo:
-Yeah! Isso toma um gole para virar homem!
Jorge retorna para dentro da padaria,guardando em sua
memória essas cenas paralelas como um aviso de um professor da vida.
sexta-feira, 28 de julho de 2017
Celular o prêmio de uma vida
Domingo calmo e ensolarado Roberto dorme tranquilo até tarde quando sua mãe abre a porta do quarto e diz:
-Roberto, me ajude estou passando mal.
Então Roberto se levanta, pensando ser apenas algo nada tão
grave quando ao chegar à porta do quarto encontre um mar de sangue até o quarto
da mãe com paredes cheias de sangue também.
-Que Porra é essa meu Deus?! O que você fez?
-Eu estava me preparando para ir à missa e estava raspando a
perna e me cortei
Correndo para pegar um pano e estacar o sangue que corria
pela perna que nem um cano furado, Roberto reclama:
-Porque não me chamou logo?
-Porque não queria te acordar!
Roberto coloca a perna em cima do banco e com um pano, estacou
o sangue, mas às vezes voltava e pegava outro pano para prender a circulação.
Enquanto sua mãe descansava, Roberto que estava com coração
a mil por hora, pegava um pano para limpar o mar de sangue que estava pelo
corredor até o quarto de sua mãe.
Mas ao mesmo tempo, ligava para o apartamento da doutora
Carla para ajudá-la.
A doutora Carla chega e assustado com tanto sangue, reclama
com a mãe do Roberto:
-A senhora não pode raspar a perna com Gillette sabendo que
tem varizes, que isso!
Vendo que a ferida fechou o tempo passou, mas alguns meses depois
acontece tudo de novo, abrindo a ferida e jorrando sangue. Roberto mais uma vez
corre para salvá-la.
-Mãe outra vez? Que merda!
-Desta vez não tive culpa, estava tirando a saia e o fechecler
pegou na ferida e abriu de novo! Parecendo um cano furado!
O pânico toma conta de Roberto que ver sua mãe tendo uma
convulsão e tremia rápido ele pega um copo de água, pois é o que vinha em sua
cabeça e ela melhora.
Depois de levá-la ao hospital para receber pontos passou um
ano e sua mãe paranoica não dormia direito, pois achava que na cama ao dormia
ela podia se cortar e perder sangue enquanto dormia então Roberto decidiu que enquanto
ela dormia ele ficaria olhando todo o momento se estava tudo bem, isto é, sua
mãe acordava às 08 da manhã e Roberto iria dormir então.
Sem dizer que no outro ano, sua mãe faria uma operação para
remover o útero, ficou os dias com ela no hospital cuidando dela e pagava o
serviço e os médicos.
No certo dia sua mãe vendo TV percebia que Roberto vivia
irritado e nervoso com sua mãe
-Eu aqui me matando para cuidar da senhora há anos e nem um
agradecimento!
-Ok, eu vou comprar um celular como prêmio por cuidar de
mim.
sábado, 13 de maio de 2017
Mãe somente na palavra
Os anos passavam e Maurício ficava cada vez mais triste e
decepcionado com as relações que teve com algumas mulheres, pois ele era
verdadeiro e transparente.
Nesse tempo sua única companhia no dia a dia era a sua mãe, que
cuidava desde trocar uma lâmpada até ficar de vigília até de manhã cedo para
saber se ela dormia bem ou tivesse algum problema de saúde.
Morando em uma nova casa de volta ao bairro onde tinha sido criado,
Maurício fica vidrado em uma menina que morava no prédio ao lado que se exibia,
mas com tempo depois de conhecê-la, se decepciona de novo.
Durante alguns dias e meses. Maurício ficava pela casa
triste e sem animação,se estressando com sua mãe que durante anos nunca quis
saber se os filhos estavam tristes ou felizes ou se precisavam de alguma ajuda
ou como estavam e reclamou um dia:
-A senhora fala que só fico estressado e nervoso, mas nunca
quis saber o que estava sentido ou pensando!
-Sim porque não está sendo fácil de te aturar! Disse sua mãe
-e eu? Acho que consigo aturar uma pessoa que nunca quis
saber se eu estou triste ou se precisa de algo? Ao contrário só me cobra todos
os dias!
-Se é amor que você quer você precisa arrumar alguém para
namorar porque eu não posso fazer isso, disse a sua mãe.
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